O Sentido Que Faz Sentido

As pessoas têm essa estranha mania de procurar o sentido da vida. Como se houvesse uma resposta oculta, uma senha universal, um propósito definitivo embalado em papel dourado esperando para ser desvendado. Como se a vida fosse um enigma a ser resolvido — e não um mistério a ser vivido.

Mas e se... Encontrar esse "sentido" for justamente o que tira a graça de tudo?
E se o segredo for justamente não saber?

Porque o instante em que dizemos “é isso”, tudo se congela. O mistério evapora, a busca cessa, a dança termina.

Talvez nosso maior paradoxo seja esse: se encontrarmos o sentido da vida, a vida perde o sentido. Perde o sabor da dúvida, o brilho da descoberta, a mágica do improviso.

Por isso, talvez não devamos procurar o sentido da vida. Mas sim, um sentido pra vida.

Um sentido que nos mova. Que nos leve a amar sem medida, a rir do absurdo, a respeitar o outro e acolher a si mesmo.

Um sentido que nos una ao cosmos, que nos ensine a ouvir o silêncio e sentir o invisível.

Um sentido que mude que se reinvente que evolua junto com a gente.

Porque a vida não precisa de uma resposta — ela precisa de um ritmo, de um rumo, de uma razão que faça o coração pulsar mais forte.

O sentido da vida não está lá fora. Ele mora aqui dentro.

E muda todos os dias.

(Texto - Gugu Marçal)

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